MOSCAS VOLANTES / FOTOPSIAS

Sombras ou Moscas Volantes (Floaters) de aparecimento súbito e Flashes Luminosos (Fotopsias)

As moscas volantes são pontos, fios, teias, nuvens, cobrinhas, bichinhos que podem ser vistos no campo visual e que se deslocam com o movimentar dos olhos ou da cabeça. Geralmente são visíveis quando se olha contra uma superfície clara ou contra o céu azul. Estes fenômenos visuais já foram descritos desde muitos séculos e o nome de moscas volantes foi dado pelos antigos romanos. Modernamente os oftalmologistas denominam estas alterações de floaters ou corpos flutuantes no vítreo. Os sintomas perturbam muito os pacientes, especialmente os pacientes com miopia.

Em geral, os floaters são pequenas opacidades dentro da gelatina interna do olho que é chamada de vítreo. O vítreo preenche toda a cavidade interna do globo ocular e se modifica ao longo da vida em todas as pessoas. Até a década dos 40 anos o vítreo é rígido e se movimenta harmoniosamente junto com o movimentar dos olhos ou da cabeça. Após esta faixa etária o vítreo vai se tornando progressivamente cada vez mais liquefeito e balança muito dentro dos olhos, a cada movimentar da cabeça. Esta movimentação não é harmoniosa e pode produzir sintomas, pois o vítreo está aderido firmemente na periferia da retina. Os floaters perturbam a visão, mas, de um modo em geral, não são de gravidade para os pacientes. Todos, porém especialmente os pacientes míopes, podem apresentar esses sintomas desde idades entre 20 e os 30 anos e, nessa idade, lesões degenerativas localizadas na periferia da retina devem ser detectadas.

Muitos pacientes, com a liquefação do vítreo, podem desenvolver uma situação que se chama descolamento posterior do vítreo. O vítreo está aderido firmemente na periferia da retina e, pelo balançar permanente dos olhos ou da cabeça, por exercícios físicos, traumatismos, quedas ou pancadas pode se descolar da retina causando tração sobre as estruturas da retina periférica. O descolamento do vítreo pode gerar danos à retina uma vez que as duas estruturas estão unidas. Se o descolamento do vítreo for total não há maiores riscos ao olho e, em muitas ocasiões os sintomas continuam sendo apenas de floaters.

Em outras ocasiões, poderá haver uma separação parcial do vítreo e da retina. Neste momento surgem sintomas de clarões luminosos, relâmpagos, raios de luz entre outras sensações luminosas e que são facilmente percebidos pelos pacientes. Estes novos sintomas, agora luminosos, são chamados de fotopsias e indicam tração do vítreo gelatinoso sobre a retina podendo gerar uma situação de grande gravidade conhecida como descolamento da retina.

Essa situação se instala com grande frequência em pacientes portadores de miopia em qualquer idade, mas especialmente acima dos 40 anos, e nos pacientes já operados de cataratas ou ainda em pacientes que realizaram outras cirurgias oculares por diferentes motivos incluindo o próprio descolamento de retina ou, ainda, em pacientes operados previamente para miopia ou outras cirurgias para correção de defeitos refrativos (relacionados ao uso de óculos).

Pacientes que sofreram traumatismos que atingiram o globo ocular devem permanecer atentos aos sintomas de surgimento de fotopsias por um prazo de até 60 dias.
Sempre que os pacientes sentirem sintomas do tipo luzes, clarões, relâmpagos, ou seja: fotopsias: será necessário exame de suas retinas periféricas e, eventualmente, será necessário tratamento com fotocoagulação da retina pelo laser argônio com o objetivo bem definido de diminuir chance de essa situação causar um quadro agudo de descolamento da retina.

Pacientes portadores de miopia e com presença de lesões degenerativas periféricas de retina do tipo láttice poderão precisar de fotocoagulação por raios laser mesmo sem sentirem os sintomas das fotopsias, pois essas lesões são fortemente predisponentes de gerar situações de descolamento da retina.


Dr. João Borges Fortes Filho

Mestre, Doutor e Pós-doutor em Oftalmologia pela UNIFESP
Professor da Faculdade de Medicina da UFRGS
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Porto Alegre RS
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